Férias em euro podem ser uma grande presepada, ainda mais
nesse momento de euro quase chegando a 4 reais. Mas, citando o Ricardo Freire,
toda viagem é uma extravagância. “O atestado de perdulário é lavrado no exato
momento em que você decide viajar. Não existe truque de contabilidade que
justifique torrar uma parcela tão significativa do seu rendimento anual em algo
que só se materializa em fotografias”.
Olhei o extrato no banco: a restituição do IR tava lá. A
grana daria pra ficar uns quinze dias. Pra ficar um pouco mais eu teria que me
apertar um pouquinho. Teria dado até, mas preferi fechar nisso. Veio um pânico
de ficar sozinha mais tempo do que isso. Eu me conheço afinal.
Há que ser dito que o tipo de viagem que eu costumo fazer é
dos mais econômicos, é mochilagem mesmo. A acomodação é em albergue, o
transporte é de trem e busão. Táxi nesse cenário é coisa de luxo e são só permitidos
dois durante toda a viagem, o táxi pós-aterrisagem e outro antes de voltar pro
Brasil. Isso se o acesso ao aeroporto não for possível de ser feito de outra
forma, senão nem isso. Comida também tem orçamento, mas isso não quer dizer que
é necessário passar a viagem toda comendo no Mac Donalds (isso ninguém merece e
eu não estou a fim de bancar o Morgan Spurlock).
Pra resumir, mochilar é uma categoria de viagem que tem
certas regras a serem cumpridas. A principal delas é: a maior grana que você
vai gastar deve ser concentrada nos passeios. Dormir em albergue não mata e não
faz assim tanta diferença já que o plano é acordar de manhã, bater perna o dia
inteirinho, chegar à noite podre no albergue, tomar banho e dormir. Uma cama
limpinha e quentinha e um banheiro também limpo pra usar é o suficiente. Na
mochilagem mais do que isso é perfumaria. Princípios de backpacker.
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