quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Mochilagem

Férias em euro podem ser uma grande presepada, ainda mais nesse momento de euro quase chegando a 4 reais. Mas, citando o Ricardo Freire, toda viagem é uma extravagância. “O atestado de perdulário é lavrado no exato momento em que você decide viajar. Não existe truque de contabilidade que justifique torrar uma parcela tão significativa do seu rendimento anual em algo que só se materializa em fotografias”.
Olhei o extrato no banco: a restituição do IR tava lá. A grana daria pra ficar uns quinze dias. Pra ficar um pouco mais eu teria que me apertar um pouquinho. Teria dado até, mas preferi fechar nisso. Veio um pânico de ficar sozinha mais tempo do que isso. Eu me conheço afinal.
Há que ser dito que o tipo de viagem que eu costumo fazer é dos mais econômicos, é mochilagem mesmo. A acomodação é em albergue, o transporte é de trem e busão. Táxi nesse cenário é coisa de luxo e são só permitidos dois durante toda a viagem, o táxi pós-aterrisagem e outro antes de voltar pro Brasil. Isso se o acesso ao aeroporto não for possível de ser feito de outra forma, senão nem isso. Comida também tem orçamento, mas isso não quer dizer que é necessário passar a viagem toda comendo no Mac Donalds (isso ninguém merece e eu não estou a fim de bancar o Morgan Spurlock).

Pra resumir, mochilar é uma categoria de viagem que tem certas regras a serem cumpridas. A principal delas é: a maior grana que você vai gastar deve ser concentrada nos passeios. Dormir em albergue não mata e não faz assim tanta diferença já que o plano é acordar de manhã, bater perna o dia inteirinho, chegar à noite podre no albergue, tomar banho e dormir. Uma cama limpinha e quentinha e um banheiro também limpo pra usar é o suficiente. Na mochilagem mais do que isso é perfumaria. Princípios de backpacker.

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