Muita gente não sabe, mas eu me cago de medo de viajar de
avião. Graças a Deus não é nada assim que me impeça de viajar, eu só não gosto. Imagino que morrer num
acidente aéreo não seja uma forma de bacana de passar pro outro lado. Primeiro
porque quando o dito cujo começa a cair deve bater aquela consciência de
“fudeu, vou morrer, que merda”. Não deve ser instantâneo, mas também não deve
dar tempo pra mais nada, ou seja, rolam uns minutinhos de pânico puro e espera.
Isso deve ser o pior. Depois porque deve ser uma morte daquelas bem doloridas.
Pelo menos é o que mostram os filmes e os noticiários. Enfim, apesar disso eu
não deixo de viajar de avião. Sempre torço pra viagem passar rapidinho. O
problema é que eu nunca durmo. Posso estar moída de cansada e fico lá com os
olhões estatelados durante 12 horas a fio. Por isso, Dramin na veia. Quase
sempre dois deles, pois a minha auto-sabotagem é infalível.
terça-feira, 14 de setembro de 2004
quarta-feira, 1 de setembro de 2004
Mochilagem
Férias em euro podem ser uma grande presepada, ainda mais
nesse momento de euro quase chegando a 4 reais. Mas, citando o Ricardo Freire,
toda viagem é uma extravagância. “O atestado de perdulário é lavrado no exato
momento em que você decide viajar. Não existe truque de contabilidade que
justifique torrar uma parcela tão significativa do seu rendimento anual em algo
que só se materializa em fotografias”.
Olhei o extrato no banco: a restituição do IR tava lá. A
grana daria pra ficar uns quinze dias. Pra ficar um pouco mais eu teria que me
apertar um pouquinho. Teria dado até, mas preferi fechar nisso. Veio um pânico
de ficar sozinha mais tempo do que isso. Eu me conheço afinal.
Há que ser dito que o tipo de viagem que eu costumo fazer é
dos mais econômicos, é mochilagem mesmo. A acomodação é em albergue, o
transporte é de trem e busão. Táxi nesse cenário é coisa de luxo e são só permitidos
dois durante toda a viagem, o táxi pós-aterrisagem e outro antes de voltar pro
Brasil. Isso se o acesso ao aeroporto não for possível de ser feito de outra
forma, senão nem isso. Comida também tem orçamento, mas isso não quer dizer que
é necessário passar a viagem toda comendo no Mac Donalds (isso ninguém merece e
eu não estou a fim de bancar o Morgan Spurlock).
Pra resumir, mochilar é uma categoria de viagem que tem
certas regras a serem cumpridas. A principal delas é: a maior grana que você
vai gastar deve ser concentrada nos passeios. Dormir em albergue não mata e não
faz assim tanta diferença já que o plano é acordar de manhã, bater perna o dia
inteirinho, chegar à noite podre no albergue, tomar banho e dormir. Uma cama
limpinha e quentinha e um banheiro também limpo pra usar é o suficiente. Na
mochilagem mais do que isso é perfumaria. Princípios de backpacker.
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